Vigésimo segundo dia – Remédios

Por burrice e preguiça, estou doente há quase uma semana e sem tomar remédios. É uma simples gripe e começou com um incômodo na garganta que já resultou até em leve febre. Claro que as condições peculiares do último final de semana, somado com o feriado, acarretaram em má alimentação e desidratação eventual.

Acontece que as coisas começaram realmente a incomodar com a tosse. Que resultou já em breves crises de falta de ar. Ontem estava particularmente difícil de dormir e tomei a decisão de passar vick nos pés (na verdade foi uma dica/ordem da minha mãe). Daí, por ~saudosismo~ dos tempos de criança, decidi passar no pescoço e amarrar uma camisa.

Novamente por burrice e preguiça, amarrei a camisa com um nó gigante e me deitei e foi praticamente como tomar um chute no pescoço. Tipo, foi instantânea a dor e o torcicolo. Tentei achar uma posição confortável, apliquei um emplastro (salompas) e nada.

Foi provavelmente a pior noite de sono da minha vida.

Quando eu achava uma posição com pouca dor, começava a tossir e fazia tudo piorar. E era outra luta para conseguir me estabilizar. Em algum momento, essa sequência de despertar e sentir as fisgadas e pontadas gerou uma dor de cabeça.

Em resumo, de manhã eu tomei alguns remédios para dor, apliquei gelo, tomei anti inflamatório e agora estou meio retardado no trabalho. Estou inclusive escrevendo para tentar melhorar a minha percepção.

Acho que vou comprar remédio pra gripe mais tarde…

Vigésimo primeiro dia – Grito de Guerra por acidente

Em meados de 2013, ali pela época da Copa das Confederações, véspera do ano da Copa do Mundo no Brasil, numa campanha para venda de carros, foi lançada uma música que viria a se tornar um hino de manifestações… e eu vou deixar até aí, porque é isso que o “Vem Pra Rua” significa pra mim. Palavras de ordem que resumem um clamor para a ação ou pelo menos a manifestação da insatisfação.

Por diversas razões, que expor aqui levaria bem mais que dez minutos, ando repensando muito a minha vida. Principalmente de 2006 pra frente. O ano em que entrei no curso de engenharia.

Eu sempre fui bem pedante. Ainda sou. Mas até que tô melhor desse sentimento ruim soberbo.

Mas em 2006 fui tipo um vale, ou pico, no meu comportamento babaca. E as coisas só foram acontecendo na minha vida de forma bem bizarra e deu uma estabilizada ali em 2008/2010.

Deu até uma certa melhorada e foi avançando numa jornada de desconstrução ou auto descoberta. Chame como quiser, mas eu gostava de pensar nisso como uma busca por coerência.

2013 foi justamente o ano em que achei o que eu queria pra minha vida. Com uma música bem animada, que embalava pessoas simpatizantes da insatisfação coletiva, fui pra rua pra tentar demonstrar que o sistema tá errado e seria, no mínimo, agradável dar uma melhorada.

Claro que não existe vácuo de poder e movimentos tão espontâneos e “desorganizados” eventualmente foram capitalizados e transformados em uma massa de manobra para fins específicos.

Cê quer ver uma diferença sobre manifestações pró interesses e contra interesses dos poderosos? Para apoiar a saída da Dilma, até o Metrô de SP ficou gratuito… enquanto que, com pessoal que começou pedindo o não aumento de R$0,20 centavos na passagem, teve até fotógrafo perdendo olho com tiro de bala de borracha…

Bom, isso rende muito papo, mas hoje eu só queria lembrar que um dia, um publicitário, sem querer, criou um grito de guerra que, combinado com diversos outros fatores, escreveu história nesse país.

Pena que era comédia dramática, quando precisávamos de uma aventura épica…

Vigésimo dia – Pós feriado

E começa mais uma semana. Depois de 5 dias para sonecas, estudos, atividades ao ar livre, sair com os amigos, assistir série, documentários, ler livros, etc… eu só sei que dormi muito. E ainda assim foi pouco.

Até a semana passada, minha ansiedade andava rondando como um gato do mato que se prepara para encontrar o melhor ângulo para o ataque, era como um farfalhar meio seco, acompanhado de pequenos galhos quebrando e o sabor do medo.

Dormir aparentemente me fez bem. Já nem estou tão preocupado, mas ainda assim sei que não posso depender dos feriados prolongados. Porque, assim como aquela gostosa sensação de achar dinheiro no bolso da calça, isso não acontece todo dia. Com exceção das pessoas que tem problemas de memória. Mas talvez não seja tão bom pra elas… não sei.

Enfim, uma amiga me mandou um link sobre meditação e de cara o locutor me mandou sentar de forma confortável e num lugar onde ninguém fosse me incomodar… existe isso?

E a pior parte foi que o vídeo tinha 18 (dezoito) minutos. Não aguentei 2. É como ouvir o Chaves, depois de te atazanar ao limite, dizer “tá bom, mas não se irrite”…

Imagine a sensação.

Por hora, respirar fundo tá me ajudando a evitar o bote. Mas dormir também ajuda. Deveria fazer mais.

Décimo nono dia – Bolhas

Talvez você já tenha lido, ouvido em algum lugar ou assistido um vídeo tratando sobre as nossas bolhas virtuais/sociais. Pois bem, não tenho uma opinião formada sobre as bolhas, bem como não tenho sobre os espaços seguros.

Eu definitivamente não tenho tempo para perder com gente cheia de ódio, ou pessoas que realmente não querem contribuir com o próximo.

Uma coisa que aprendi com o Podcast Mamilos é a respeitar a opinião alheia e dá pra fazer isso de boa, sem criar mais ódio ou polarizar. Mas é difícil pensar que preciso ser ofendido, tratado mal ou desrespeitado pra ampliar meus horizontes.

Por exemplo, não concordo com muita coisa que o Pondé escreve, ao mesmo tempo que gosto das reflexões dele sobre não existir uma verdade.

Mesmo assim, ainda acho um saco o texto dele sobre a direita festiva que diz que mulheres não gostam de discutir coisas como economia. Só pra ser pontual, saca?

Acho que a medida ideal é o meio termo, estar sempre apto para estourar a sua bolha e criar um novo ambiente, se questionar e evoluir, mas não precisa viver de forma incômoda e sempre sofrendo.

O mundo vai seguir, cê participando dele ou não.

Um recado: Ontem não teve texto aqui, mas escrevi para o blog da 34 Damage. Vou publicar toda segunda feira uma coluna por lá, mas aqui ainda vai continuar tendo material. Confira no link: Olhe ao redor.

Décimo oitavo dia – Sobre escrever

Eu não sei se outras pessoas passam por isso. Alguns dias é complicado me concentrar o suficiente para sentar e escrever.

Essa é justamente a razão para ter criado este espaço, para me incentivar a parar por um momento, mesmo que breve, e colocar pra fora todo o ruído e desordem e bagunça e complicação que habitam minha mente. Tentar criar um hábito.

É por isso que meus textos não obedecem a um tema comum, nem possuem sempre a mesma estrutura, apesar de manter certo estilo pessoal.

Para quem me conhece, sabe que precisei de 3 anos para fazer a minha monografia. E não foi por preguiça ou desleixo completo. Cheguei a escrever e apagar páginas de conteúdo por não gostar do que estava escrevendo. De encarar a tela, com idéias fervilhando, mas sem conseguir escrever uma linha.

Em alguns momentos, sou só uma folha em branco, em outros, um rabisco sem sentido.

Décimo sétimo dia – Cadê meu frango?

Como esse é um espaço pra falar sobre qualquer coisa que saia da minha cabeça, tô aqui pra reclamar de um fato chato e como dei a volta por cima.

Normalmente, peço o almoço de uma moça que fornece lá no meu trabalho. A comida é bem servida e até bem gostosa. São os principais fatores para não buscar fornecedores mais baratos, ou que entreguem mais cedo, que é outro ponto a ser considerado, ela normalmente chega após 12h30.

E quando digo após é mais ou menos assim: ela pode chegar a qualquer momento… mesmo que isso seja 13h… sim, já aconteceu.

Hoje foi um dos dias que ela chegou relativamente cedo, umas 12h35, mas minha quentinha com coxa e sobrecoxa de frango veio vazia. =/

Ok, não completamente vazia. =x

Sabe aquela sensação de estudar muito para uma prova e se sentir confiante? Pois é, eu também não, mas imagino que deva ser ótima.

Deixa eu tentar outra analogia, imagina que sua banda favorita marca uma coletiva, cê pensa que é um álbum novo, mas os caras estão dando uma pausa na carreira para seguir projetos pessoais…

Pois é… dói, né?

Hoje, recebi a embalagem de isopor (sim, é de isopor, desculpa meio ambiente) e deixei sobre minha mesa enquanto terminava de responder um e-mail. Acabei levando mais tempo que o esperado, ao terminar, segui para a copa, sentei e, ao abrir a embalagem, sou surpreendido pela falta do frango. Assim, tava tudo ali, arroz, feijão, farofa, macarrão, etc. Só tava faltando o frango.

Eu fiquei tão sem reação que eu só encarei aquilo. Eu nem chorei, só tremia, sabe?

Um dos meus colegas que ainda perguntou “tu não pediu nada?”, daí eu acordei do meu estado catatônico e fui procurar a moça do almoço.

Obviamente ela estava fazendo entregas e eu não vou sair procurando num prédio de 5 andares mais térreo.

Enfim, um colega dividiu um pouco do picadinho comigo.

Só que isso (o desaparecimento do frango) me permitiu ser transgressor.

Essa semana tem módulo da pós e estou tendo aula, daí normalmente enrolo no trabalho até umas 17h50 e venho de boa no engarrafamento. Óbvio que fico sem comer e saio da aula varado de fome. Mas hoje consegui parar numa padaria e pedir pão com tucumã, queijo coalho e ovo (sim, eu deliberadamente deixei a banana frita de fora).

E agora estou feliz e bem alimentado esperando o professor chegar na aula.

Espero que você também esteja bem alimentado. ❤

Décimo sexto dia – Ouvindo

Quase ficamos sem texto hoje, porque coloquei na cabeça que gostaria de escrever algo bem humorado. E aparentemente não é meu forte fazer piadas escritas, apesar de claramente conseguir imaginar uns papos bem genéricos e divertidos com amigos… talvez seja o álcool… não tenho certeza.

De qualquer maneira, estava lembrando de momentos que abertamente foram engraçados na minha vida, não necessariamente comigo. Narrar tais acontecimentos, mantendo a graça, surge agora quase como um desafio. Devo acrescentar um ponto para os humoristas de improviso.

Certa vez, durante o ensino técnico, numa aula de metrologia, o professor se apresentou, introduziu a matéria e começou a falar sobre uma porrada de coisas erradas que ele via porque as pessoas não seguiam regras.

Daí ele contou que a escola havia comprado um aparelho de raio x e não usava porque não havia infraestrutura para proteger o aparelho e os usuários. Porque o certo é comprar primeiro o equipamento e depois construir o local para ele, né? Bom, o pessoal da gerência guardou o aparelho num laboratório qualquer até surgir uma verba para construir o tal espaço adequado.

Por medo de morrer ou pegar câncer ou sei lá, os outros professores passaram a evitar a sala, enquanto o professor de metrologia falou que esta se tornou uma área muito agradável, porque ninguém aparecia por lá para incomodá-lo.

Algum dia alguém perguntou se ele não tinha medo daquilo explodir ou algo assim e ele respondeu prontamente “Se essa máquina explodir, todo mundo nesse quarteirão morre. Prefiro ficar do lado e ser um dos primeiros.”.

Todo mundo da turma caiu na gargalhada, até que um aluno disse “Quer encontrar Deus, professor?”.

Este prontamente retrucou “Não vou encontrar ninguém porque eu sou ateu!”.

Mas o menino não resistiu e provocou “Se não acredita em Deus, de onde acha que o senhor veio?”.

O professor foi até a mesa do rapaz, colocou as mãos na cintura e falou sério “Meu filho, você já deve ter uns 15 anos, você quer que eu te mostre?”

A turma irrompeu em urros histéricos por uns bons 10 minutos, mas ainda hoje, 14 anos depois, essa história é lembrada.

Eu particularmente tive meus atritos com este mestre e cheguei a discutir sobre a avaliação do mesmo. Acabei um dia ouvindo um sonoro “Meu filho, se você só quer passar eu te passo, quem vai te ensinar é o mercado de trabalho…”. Hoje vejo que deveria ter ouvido aquele professor.

Décimo quinto dia – Nada dá certo

Eu realmente não estou conseguindo digerir muito bem duas notícias que chamaram minha atenção ontem, primeiro, um colégio decidiu fazer um recreio temático, repetindo um vacilo de outra instituição de 2015, questionando os alunos sobre o que eles achavam que iria acontecer quando seus planos fossem frustrados e o resultado, em resumo, “se nada der certo eu viro proletário”.

Isso é tão absurdo que chega a ser engraçado como as nossas elites burguesas de merda *toca a internacional no fundo* educam seus filhos para serem patrões e acreditarem que estão no poder por mérito, quando na verdade é tudo um sistema que nos mantém acorrentados e relativamente inertes.

E veja bem, não é porque você conhece 1 pessoa que venceu na vida que isso torna possível pra todo mundo, na verdade vencer na vida é exceção nesse jogo.

Mas isso não é culpa das crianças e zoar com elas não vai resolver o problema.

O que nos leva ao segundo caso, um cara se matou depois de ter seu nome e seu erro divulgados aos quatro ventos.

Se o manolo realmente tentou se passar por médico ou não pouco importa para o caso. Ele se matou. E nós, sim, sociedade, fomos todos nós, acabamos dando uma força pra deixar a vida de uma pessoa um pouco mais miserável.

Isso me faz lembrar quando o goleiro Aranha foi chamado de macaco pelos torcedores do time adversário, filmaram e fotografaram uma moça no meio da multidão e, dias depois da punição do time, jogaram uma bomba incendiária na casa dela, que, por sorte ou acaso, só pegou fogo na varanda.

O Brasil é quase uma simulação de 1984, de George Orwell. Nós temos até mesmo um inimigo para ter o minuto de ódio.

Gente, os alunos que se vestiram de funcionários do McDonalds são apenas a ponta do iceberg, a escola que incentiva esse pensamento é só o meio utilizado, quem nós temos que combater é a desigualdade e o pensamento de que um pouco de pobreza é natural.

Essa pirâmide social, que mais parece um “colchete deitado”, só tá fodendo todo mundo diariamente.

A única coisa que temos a perder são as nossas correntes.

Décimo quarto dia – Sobre estar pronto

Há algum tempo, sigo uma página do Facebook que faz umas postagens estilo videogames de 8 bits, aqueles bem antigos e tal. Pois bem, uma imagem que realmente chamou minha atenção foi a de um rosto de um homem, traços severos e firmes como os dizeres “‘Vida! Estou diante de ti hoje, pronto e sem medo’ eu disse, mentindo.” e acho que isso acertou algo dentro de mim.

Sabe, recentemente vi um texto sobre um Promotor aposentado, um cara que passou 31 anos no Ministério Público, e falava sobre a diferença dos entendimentos atuais sobre as tarefas e missões do órgão. Algo sobre não concordar com tais posições, mas que não é dever dele se impor ou sobrepor nada.

Atualmente tenho 30 anos de idade. E eu não tenho certeza de muita coisa.

Imagina a minha supresa ao perceber que não existe um ponto na vida onde as pessoas realmente estão prontas. Mesmo alguém que tem mais tempo experiência que eu tenho de vida…

Agora mesmo, pense em tudo que você sabe ou acredita saber, imagine as dificuldades e desafios que já enfrentou. Cê acredita que está realmente preparado para alguma coisa?

Talvez a vida seja apenas um somatório de momentos em que nós estamos mais ou menos aptos para agir e seguir para os próximos momentos.

Isso cria uma certa leveza no viver. Ou pelo menos na cobrança para estar pronto ou certo.

Ou não.

Décimo terceiro dia – Descobertas

Ontem assisti Mulher Maravilha.

Foi muito bom.

Em particular, gostaria de ressaltar um aspecto interessante da narrativa, como filme de origem de super herói, achei ótima a forma como elementos presentes em outras histórias são bem explorados. Falo da experiência de auto descoberta da personagem.

O contexto fantástico está presente na vida da Diana desde sempre e, mesmo assim, ela é inocente de uma forma poética, não de forma ingênua. Ela é bem instruída e inteligente. Mas quase “cega” para certos fatos.

Nesse mundo incrível onde ela habita e treina, não há sinal, além de histórias, sobre o quão ruins conseguem ser as pessoas.

E sair dessa redoma protetora serve para ajudá-la a se descobrir e se entender, no processo para ajudar os necessitados. Elementos clássicos da Jornada do Herói bem organizados.

Era isso que gostaria de tratar…

Na verdade eu escrevi isso tudo pra dizer que estou me sentindo bem decepcionado comigo. Porque aparentemente me descobri machista e falso moralista… ou pelo menos é o que pareço ser.