Décimo quinto dia – Nada dá certo

Eu realmente não estou conseguindo digerir muito bem duas notícias que chamaram minha atenção ontem, primeiro, um colégio decidiu fazer um recreio temático, repetindo um vacilo de outra instituição de 2015, questionando os alunos sobre o que eles achavam que iria acontecer quando seus planos fossem frustrados e o resultado, em resumo, “se nada der certo eu viro proletário”.

Isso é tão absurdo que chega a ser engraçado como as nossas elites burguesas de merda *toca a internacional no fundo* educam seus filhos para serem patrões e acreditarem que estão no poder por mérito, quando na verdade é tudo um sistema que nos mantém acorrentados e relativamente inertes.

E veja bem, não é porque você conhece 1 pessoa que venceu na vida que isso torna possível pra todo mundo, na verdade vencer na vida é exceção nesse jogo.

Mas isso não é culpa das crianças e zoar com elas não vai resolver o problema.

O que nos leva ao segundo caso, um cara se matou depois de ter seu nome e seu erro divulgados aos quatro ventos.

Se o manolo realmente tentou se passar por médico ou não pouco importa para o caso. Ele se matou. E nós, sim, sociedade, fomos todos nós, acabamos dando uma força pra deixar a vida de uma pessoa um pouco mais miserável.

Isso me faz lembrar quando o goleiro Aranha foi chamado de macaco pelos torcedores do time adversário, filmaram e fotografaram uma moça no meio da multidão e, dias depois da punição do time, jogaram uma bomba incendiária na casa dela, que, por sorte ou acaso, só pegou fogo na varanda.

O Brasil é quase uma simulação de 1984, de George Orwell. Nós temos até mesmo um inimigo para ter o minuto de ódio.

Gente, os alunos que se vestiram de funcionários do McDonalds são apenas a ponta do iceberg, a escola que incentiva esse pensamento é só o meio utilizado, quem nós temos que combater é a desigualdade e o pensamento de que um pouco de pobreza é natural.

Essa pirâmide social, que mais parece um “colchete deitado”, só tá fodendo todo mundo diariamente.

A única coisa que temos a perder são as nossas correntes.

Autor: Elisnei

Servidor Público. Escritor amador. Curioso e fã de tecnologia.

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