Décimo sexto dia – Ouvindo

Quase ficamos sem texto hoje, porque coloquei na cabeça que gostaria de escrever algo bem humorado. E aparentemente não é meu forte fazer piadas escritas, apesar de claramente conseguir imaginar uns papos bem genéricos e divertidos com amigos… talvez seja o álcool… não tenho certeza.

De qualquer maneira, estava lembrando de momentos que abertamente foram engraçados na minha vida, não necessariamente comigo. Narrar tais acontecimentos, mantendo a graça, surge agora quase como um desafio. Devo acrescentar um ponto para os humoristas de improviso.

Certa vez, durante o ensino técnico, numa aula de metrologia, o professor se apresentou, introduziu a matéria e começou a falar sobre uma porrada de coisas erradas que ele via porque as pessoas não seguiam regras.

Daí ele contou que a escola havia comprado um aparelho de raio x e não usava porque não havia infraestrutura para proteger o aparelho e os usuários. Porque o certo é comprar primeiro o equipamento e depois construir o local para ele, né? Bom, o pessoal da gerência guardou o aparelho num laboratório qualquer até surgir uma verba para construir o tal espaço adequado.

Por medo de morrer ou pegar câncer ou sei lá, os outros professores passaram a evitar a sala, enquanto o professor de metrologia falou que esta se tornou uma área muito agradável, porque ninguém aparecia por lá para incomodá-lo.

Algum dia alguém perguntou se ele não tinha medo daquilo explodir ou algo assim e ele respondeu prontamente “Se essa máquina explodir, todo mundo nesse quarteirão morre. Prefiro ficar do lado e ser um dos primeiros.”.

Todo mundo da turma caiu na gargalhada, até que um aluno disse “Quer encontrar Deus, professor?”.

Este prontamente retrucou “Não vou encontrar ninguém porque eu sou ateu!”.

Mas o menino não resistiu e provocou “Se não acredita em Deus, de onde acha que o senhor veio?”.

O professor foi até a mesa do rapaz, colocou as mãos na cintura e falou sério “Meu filho, você já deve ter uns 15 anos, você quer que eu te mostre?”

A turma irrompeu em urros histéricos por uns bons 10 minutos, mas ainda hoje, 14 anos depois, essa história é lembrada.

Eu particularmente tive meus atritos com este mestre e cheguei a discutir sobre a avaliação do mesmo. Acabei um dia ouvindo um sonoro “Meu filho, se você só quer passar eu te passo, quem vai te ensinar é o mercado de trabalho…”. Hoje vejo que deveria ter ouvido aquele professor.

Autor: Elisnei

Servidor Público. Escritor amador. Curioso e fã de tecnologia.

2 comentários em “Décimo sexto dia – Ouvindo”

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