Décimo oitavo dia – Sobre escrever

Eu não sei se outras pessoas passam por isso. Alguns dias é complicado me concentrar o suficiente para sentar e escrever.

Essa é justamente a razão para ter criado este espaço, para me incentivar a parar por um momento, mesmo que breve, e colocar pra fora todo o ruído e desordem e bagunça e complicação que habitam minha mente. Tentar criar um hábito.

É por isso que meus textos não obedecem a um tema comum, nem possuem sempre a mesma estrutura, apesar de manter certo estilo pessoal.

Para quem me conhece, sabe que precisei de 3 anos para fazer a minha monografia. E não foi por preguiça ou desleixo completo. Cheguei a escrever e apagar páginas de conteúdo por não gostar do que estava escrevendo. De encarar a tela, com idéias fervilhando, mas sem conseguir escrever uma linha.

Em alguns momentos, sou só uma folha em branco, em outros, um rabisco sem sentido.

Décimo sétimo dia – Cadê meu frango?

Como esse é um espaço pra falar sobre qualquer coisa que saia da minha cabeça, tô aqui pra reclamar de um fato chato e como dei a volta por cima.

Normalmente, peço o almoço de uma moça que fornece lá no meu trabalho. A comida é bem servida e até bem gostosa. São os principais fatores para não buscar fornecedores mais baratos, ou que entreguem mais cedo, que é outro ponto a ser considerado, ela normalmente chega após 12h30.

E quando digo após é mais ou menos assim: ela pode chegar a qualquer momento… mesmo que isso seja 13h… sim, já aconteceu.

Hoje foi um dos dias que ela chegou relativamente cedo, umas 12h35, mas minha quentinha com coxa e sobrecoxa de frango veio vazia. =/

Ok, não completamente vazia. =x

Sabe aquela sensação de estudar muito para uma prova e se sentir confiante? Pois é, eu também não, mas imagino que deva ser ótima.

Deixa eu tentar outra analogia, imagina que sua banda favorita marca uma coletiva, cê pensa que é um álbum novo, mas os caras estão dando uma pausa na carreira para seguir projetos pessoais…

Pois é… dói, né?

Hoje, recebi a embalagem de isopor (sim, é de isopor, desculpa meio ambiente) e deixei sobre minha mesa enquanto terminava de responder um e-mail. Acabei levando mais tempo que o esperado, ao terminar, segui para a copa, sentei e, ao abrir a embalagem, sou surpreendido pela falta do frango. Assim, tava tudo ali, arroz, feijão, farofa, macarrão, etc. Só tava faltando o frango.

Eu fiquei tão sem reação que eu só encarei aquilo. Eu nem chorei, só tremia, sabe?

Um dos meus colegas que ainda perguntou “tu não pediu nada?”, daí eu acordei do meu estado catatônico e fui procurar a moça do almoço.

Obviamente ela estava fazendo entregas e eu não vou sair procurando num prédio de 5 andares mais térreo.

Enfim, um colega dividiu um pouco do picadinho comigo.

Só que isso (o desaparecimento do frango) me permitiu ser transgressor.

Essa semana tem módulo da pós e estou tendo aula, daí normalmente enrolo no trabalho até umas 17h50 e venho de boa no engarrafamento. Óbvio que fico sem comer e saio da aula varado de fome. Mas hoje consegui parar numa padaria e pedir pão com tucumã, queijo coalho e ovo (sim, eu deliberadamente deixei a banana frita de fora).

E agora estou feliz e bem alimentado esperando o professor chegar na aula.

Espero que você também esteja bem alimentado. ❤

Décimo sexto dia – Ouvindo

Quase ficamos sem texto hoje, porque coloquei na cabeça que gostaria de escrever algo bem humorado. E aparentemente não é meu forte fazer piadas escritas, apesar de claramente conseguir imaginar uns papos bem genéricos e divertidos com amigos… talvez seja o álcool… não tenho certeza.

De qualquer maneira, estava lembrando de momentos que abertamente foram engraçados na minha vida, não necessariamente comigo. Narrar tais acontecimentos, mantendo a graça, surge agora quase como um desafio. Devo acrescentar um ponto para os humoristas de improviso.

Certa vez, durante o ensino técnico, numa aula de metrologia, o professor se apresentou, introduziu a matéria e começou a falar sobre uma porrada de coisas erradas que ele via porque as pessoas não seguiam regras.

Daí ele contou que a escola havia comprado um aparelho de raio x e não usava porque não havia infraestrutura para proteger o aparelho e os usuários. Porque o certo é comprar primeiro o equipamento e depois construir o local para ele, né? Bom, o pessoal da gerência guardou o aparelho num laboratório qualquer até surgir uma verba para construir o tal espaço adequado.

Por medo de morrer ou pegar câncer ou sei lá, os outros professores passaram a evitar a sala, enquanto o professor de metrologia falou que esta se tornou uma área muito agradável, porque ninguém aparecia por lá para incomodá-lo.

Algum dia alguém perguntou se ele não tinha medo daquilo explodir ou algo assim e ele respondeu prontamente “Se essa máquina explodir, todo mundo nesse quarteirão morre. Prefiro ficar do lado e ser um dos primeiros.”.

Todo mundo da turma caiu na gargalhada, até que um aluno disse “Quer encontrar Deus, professor?”.

Este prontamente retrucou “Não vou encontrar ninguém porque eu sou ateu!”.

Mas o menino não resistiu e provocou “Se não acredita em Deus, de onde acha que o senhor veio?”.

O professor foi até a mesa do rapaz, colocou as mãos na cintura e falou sério “Meu filho, você já deve ter uns 15 anos, você quer que eu te mostre?”

A turma irrompeu em urros histéricos por uns bons 10 minutos, mas ainda hoje, 14 anos depois, essa história é lembrada.

Eu particularmente tive meus atritos com este mestre e cheguei a discutir sobre a avaliação do mesmo. Acabei um dia ouvindo um sonoro “Meu filho, se você só quer passar eu te passo, quem vai te ensinar é o mercado de trabalho…”. Hoje vejo que deveria ter ouvido aquele professor.

Décimo quinto dia – Nada dá certo

Eu realmente não estou conseguindo digerir muito bem duas notícias que chamaram minha atenção ontem, primeiro, um colégio decidiu fazer um recreio temático, repetindo um vacilo de outra instituição de 2015, questionando os alunos sobre o que eles achavam que iria acontecer quando seus planos fossem frustrados e o resultado, em resumo, “se nada der certo eu viro proletário”.

Isso é tão absurdo que chega a ser engraçado como as nossas elites burguesas de merda *toca a internacional no fundo* educam seus filhos para serem patrões e acreditarem que estão no poder por mérito, quando na verdade é tudo um sistema que nos mantém acorrentados e relativamente inertes.

E veja bem, não é porque você conhece 1 pessoa que venceu na vida que isso torna possível pra todo mundo, na verdade vencer na vida é exceção nesse jogo.

Mas isso não é culpa das crianças e zoar com elas não vai resolver o problema.

O que nos leva ao segundo caso, um cara se matou depois de ter seu nome e seu erro divulgados aos quatro ventos.

Se o manolo realmente tentou se passar por médico ou não pouco importa para o caso. Ele se matou. E nós, sim, sociedade, fomos todos nós, acabamos dando uma força pra deixar a vida de uma pessoa um pouco mais miserável.

Isso me faz lembrar quando o goleiro Aranha foi chamado de macaco pelos torcedores do time adversário, filmaram e fotografaram uma moça no meio da multidão e, dias depois da punição do time, jogaram uma bomba incendiária na casa dela, que, por sorte ou acaso, só pegou fogo na varanda.

O Brasil é quase uma simulação de 1984, de George Orwell. Nós temos até mesmo um inimigo para ter o minuto de ódio.

Gente, os alunos que se vestiram de funcionários do McDonalds são apenas a ponta do iceberg, a escola que incentiva esse pensamento é só o meio utilizado, quem nós temos que combater é a desigualdade e o pensamento de que um pouco de pobreza é natural.

Essa pirâmide social, que mais parece um “colchete deitado”, só tá fodendo todo mundo diariamente.

A única coisa que temos a perder são as nossas correntes.

Décimo quarto dia – Sobre estar pronto

Há algum tempo, sigo uma página do Facebook que faz umas postagens estilo videogames de 8 bits, aqueles bem antigos e tal. Pois bem, uma imagem que realmente chamou minha atenção foi a de um rosto de um homem, traços severos e firmes como os dizeres “‘Vida! Estou diante de ti hoje, pronto e sem medo’ eu disse, mentindo.” e acho que isso acertou algo dentro de mim.

Sabe, recentemente vi um texto sobre um Promotor aposentado, um cara que passou 31 anos no Ministério Público, e falava sobre a diferença dos entendimentos atuais sobre as tarefas e missões do órgão. Algo sobre não concordar com tais posições, mas que não é dever dele se impor ou sobrepor nada.

Atualmente tenho 30 anos de idade. E eu não tenho certeza de muita coisa.

Imagina a minha supresa ao perceber que não existe um ponto na vida onde as pessoas realmente estão prontas. Mesmo alguém que tem mais tempo experiência que eu tenho de vida…

Agora mesmo, pense em tudo que você sabe ou acredita saber, imagine as dificuldades e desafios que já enfrentou. Cê acredita que está realmente preparado para alguma coisa?

Talvez a vida seja apenas um somatório de momentos em que nós estamos mais ou menos aptos para agir e seguir para os próximos momentos.

Isso cria uma certa leveza no viver. Ou pelo menos na cobrança para estar pronto ou certo.

Ou não.

Décimo terceiro dia – Descobertas

Ontem assisti Mulher Maravilha.

Foi muito bom.

Em particular, gostaria de ressaltar um aspecto interessante da narrativa, como filme de origem de super herói, achei ótima a forma como elementos presentes em outras histórias são bem explorados. Falo da experiência de auto descoberta da personagem.

O contexto fantástico está presente na vida da Diana desde sempre e, mesmo assim, ela é inocente de uma forma poética, não de forma ingênua. Ela é bem instruída e inteligente. Mas quase “cega” para certos fatos.

Nesse mundo incrível onde ela habita e treina, não há sinal, além de histórias, sobre o quão ruins conseguem ser as pessoas.

E sair dessa redoma protetora serve para ajudá-la a se descobrir e se entender, no processo para ajudar os necessitados. Elementos clássicos da Jornada do Herói bem organizados.

Era isso que gostaria de tratar…

Na verdade eu escrevi isso tudo pra dizer que estou me sentindo bem decepcionado comigo. Porque aparentemente me descobri machista e falso moralista… ou pelo menos é o que pareço ser.

Décimo segundo dia – Suas ações

Para quem leu o dia anterior, queria deixar claro que o fato da culpa ser sua, não significa que seja inteiramente sua responsabilidade.

Deixa eu tentar explicar melhor, as suas escolhas são ditadas por fatores genéticos e ambientais, novamente resumido de forma bem grosseira. Ou seja, quem voce é nesse exato momento é culpa sua, mas não é inteiramente por culpa sua.

Na verdade, as ações do indivíduo são a menor parte de toda essa equação. Só o fato de não termos qualquer escolha sobre nossa genética, bem como sobre o meio em que nascemos, já é o suficiente para anular boa parte da nossa participação no resultado final.

Em resumo, não se sinta tão culpado por ser quem você é.

Uma vez que entenda como chegou aqui, é aí que mora a questão de aproveitar as oportunidades para fazer alguma coisa diferente. É evidente que as oportunidades são desiguais e eu não pretendo dizer o que deve fazer com a sua vida.

Eu não sei direito nem o que fazer com a minha vida.

Mas não é por isso que devo deixar de fazer coisas.

Ficar parado, ou não fazer nada, é uma das poucas escolhas disponíveis para todos. O que resta saber é: o que você ganha ou perde por ficar parado?

Se as respostas forem agradáveis, ficar parado é uma escolha até possível. Mas se as respostas forem negativas… até cabe aqui outra pergunta: por que você tá parado?

Enfim, mudando rápido de assunto, vou provavelmente assistir Mulher Maravilha hoje e meu próximo texto deverá ser sobre o filme. Ou não.

Décimo primeiro dia – A culpa é minha

Antes de começar a explicar o motivo do título, queria deixar claro que a culpa é sua também.

Vamos lá, em meados de 2001 a Norte Brasil Telecom (NBT) lançava o revolucionário sistema de mensagens de texto para celulares, o famoso, e já quase inútil, SMS.

Como o seviço era gratuito, muitas pessoas, incluindo este que vos escreve, usaram isso para ampliar seus contatos sociais, enviando mensagens para números aleatórios até alguém responder.

Sim, isso aconteceu e não é uma prática muito diferente de puxar conversa fiada na fila do banco…

Enfim, através disso, conheci alunos da Escola Técnica Federal do Amazonas (ETFAM) e foi esse meu primeiro contato com o que viria a ser o Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas (CEFET AM), atual Instituto Federal do Amazonas (IFAM).

De lá pra cá, em resumo grosseiro, as coisas foram se encaixando e tomando forma. Desde o meu curso técnico, os concursos que prestei, as pessoas que conheci ou afastei, tudo foi por causa da hora que decidi que queria estudar numa escola diferente (não preciso dizer que estou usando de licença poética, né?).

Posso dividir os fatos da minha vida em pequenas etapas, em anos, em períodos, etc. Mas o que eu sou hoje é o somatório de tudo isso. E obviamente não foi tudo escolha, já que cada ser humano é um microcosmo de eventualidades e acasos.

E é por isso que acho meio complicado ficar chateado (sim, eu sei que o faço) com a situação em que me encontro.

Porque é tudo culpa minha.

Décimo dia – A minha visão

Tenho sérios problemas com motivação. Talvez todos tenham. Mas boa parte das pessoas estão acostumadas a fazer algo. A obedecer rotinas e hábitos. E eu acabo falhando no quesito continuidade facilmente.

Na minha infância, nas primeiras séries para ser mais exato, era tido como uma criança lenta e que várias vezes ficava abaixo do resto da turma na parte de copiar a matéria do quadro. Tempos depois foi descoberto que eu tinha um problema de visão e que não enxergava o quadro…

O óbvio seria colocar os óculos e todo meu potencial como copista iria despertar, certo? Errado. No final das contas, aprendi a ler livros e ouvir o professor explicando. O que só fez mais sentido pra minha vida adulta, onde posso estudar por vídeo aulas.

Por não conseguir ver o quadro, não conseguia copiar tão rápido como as outras pessoas. E isso formou um pouco como faço as coisas.

Talvez o que esteja faltando na minha vida atualmente é descobrir porque não consigo “ver” esse novo quadro. Digo isso pois parece que atualmente está sendo bem difícil ser tão humano quanto os demais.

E olha que nem ligo mais pra saber se estou no mesmo nível dos demais, só acho mesmo que não estou rendendo todo o meu potencial.

Por algum motivo.

Nono dia – O terceiro texto

Por alguma razão inexplicável, desde a criação desse espaço, em 2014, sempre escrevo trêstextos e depois paro. Por coincidência, sempre por volta do dia vinte de algum mês.

Foi assim no ano da criação e no seguinte, 2015. De forma inexplicável, em 2016 não houve publicações.

Mas o que importa é 2017.

E esse é o terceiro texto.

Enquanto escrevo, algumas milhares de pessoas em Brasília sentem as consequências de um protesto contra as reformas no congresso. Outras milhões acompanham por onde podem.

Facebook, twitter, whatsapp, telegram, etc.

A nossa capacidade de enviar boas vibrações ou comemorar os danos causados a um jovem por um artefato explosivo são incríveis.

Foi bem difícil parar para escrever, mas nesse momento o tempo flutua e minha mente dança.

Isso me lembra (in)felizmente das muitas canções sobre revolução do musical Os Miseráveis (desculpa, nunca li ou assisti a peça teatral).

Nosso povo está cansado. E por mais que você possa identificar quem patrocina esse tipo de evento, quem aluga ônibus, fornece bandeiras, etc. Não tira a razão daqueles que vão muito provavelmente morrer trabalhando, com salários de miséria e condições desumanas, se boa parte desses textos legislativos propostos forem aprovados.

Não há um debate amplo com a sociedade e nem é do interesse do governo que isso ocorra, visto que até as Forças Armadas foram convocadas para Garantir a Lei e a Ordem, o que quer que isso seja na cabeça de quem tá comandando esse país.

Acho que amanhã estarei de volta, mas, caso isso não aconteça, fica aqui o meu abraço e, não menos importante, #ForaTemer.