Pagando uma cerveja para meus amigos

Então, não sei o nome do melhor psiquiatra que já tive na vida. É difícil de explicar, mas inventei que o nome dele era Mário, mas na real é Thiago. E só percebi isso quando comentei dele com outra pessoa que também era paciente e disse que o nome tava errado.

Enfim, fui a maior parte da vida numa psiquiatra que não era tão boa, mas aceitava meu plano de saúde e era perto do meu trabalho, daí facilitava muito marcar consulta. Enquanto o Thiago não aceita planos, tem um preço certo pela consulta, mas sempre arruma umas secretárias péssimas e marcar uma consulta é muito difícil.

Acontece que ano passado eu consegui marcar uma (até hoje aguardo a secretaria me responder para marcar o retorno… sério) e essa foi uma das consultas mais pancadas que já tive na vida. Minha terapeuta certamente não gostaria do método, mas o resultado foi bom.

Deixa explicar porque curto tanto o cara: teve uma época que eu tava ficando meio resistente à terapia… foi quando minha terapeuta indicou seguir para a medicação, me indicou o Mário e a pessoa que sabia que o nome certo era Thiago me acompanhou. De cara, não sabia como explicar bem o que tava sentindo e usei termos de RPG… ele entendeu e explicou o tratamento da mesma forma. Nunca vou esquecer ele falando sobre efeito redutor de atributo.

A outra vez foi o retorno, de boas. Daí se passaram anos de tentativas de entrar em contato, assistente que marcava e esquecia de confirmar o local, não atendia mais, etc.

Na esperada terceira vez, num espaço de mais de 5 anos, ele lembrava de mim, conversamos por quarenta minutos e soltou uma análise sobre a minha personalidade que me senti nu. E foi como se ele tivesse comentando o clima. Chegou e disse “você faz isso por causa disso e aquilo… e talvez chova mais tarde”.

Segurando as lágrimas, óbvio que não devo ter escondido o rosto queimando de vergonha dele expor uma parada tão íntima, sorri e balancei a cabeça. Hoje encaro de boa essa conversa, mas foi muito tempo digerindo.

Mas pelo menos agora entendo o motivo de gostar de pagar cervejas para as pessoas. E obviamente que não vou contar aqui.

Mas, eventualmente, pode ser que eu pague uma cerveja pra você também. Ou te aborde perguntando se tá precisando de dinheiro.

PS: O nome do psiquiatra tá trocado, viu?

Autor: Elisnei

Servidor Público. Escritor amador. Curioso e fã de tecnologia.

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