Netflix, Final Fantasy, Marketing e relações humanas

Então, comecei a assistir, sem muita pretensão, Dad of Light, uma série da Netflix sobre a reaproximação de um pai e seu filho através de um jogo. E não é qualquer jogo. Final Fantasy XIV – A Realm Reborn.

São apenas 7 episódios + 1 extra. O gênero é comédia, vida cotidiana japonesa e drama. Acho que um 3,5/5 é uma nota justa.

Tô escrevendo pouco depois de terminar para tentar não perder a inspiração, mas também não posso demorar porque, apesar da insônia, amanhã ainda é dia de trabalho.

Bom, a série tem como ponto principal o plano de um jovem adulto tentando se reaproximar do seu pai. Tudo é muito “japonês” nessa série. O respeito pela figura do pai como um mito dentro de casa (na mesa de jantar a cadeira do pai é a única que tem apoio para os braços, por exemplo). No trabalho dá pra ver como eles fazem realmente reverências de quase 90º para os superiores. E essas coisinhas que fãs de anime podem eventualmente reconhecer.

Cada episódio é um paralelo sobre o jogo, a vida do protagonista no trabalho e um pouco do passado dele com o pai. Não dá pra negar que a série é em si uma grande propaganda do jogo. Com um roteiro simples, mas que ainda encanta.

E o que me incomodou, de um jeito positivo, foi perceber como que de certa forma as relações humanas são estranhas.

Não só na série, mas em geral. No nosso dia a dia. Nas saídas com o pessoal do trabalho, amigos de escola/faculdade. Conversas com a família. Escolhas que tomamos. Tudo é muito complexo e acaba montando um emaranhado de ligações ou informações desnecessárias ou cobrindo aquilo que deveria estar claro.

Sei que isso deveria ser encarado como normal, mas meu principal foco nos textos é abordar a visão das pessoas com algum tipo de transtorno. E isso pode ser potencialmente danoso.

Sem entrar em detalhes, nós podemos ser ainda mais prejudiciais, ou prejudicados, que a maioria das pessoas. Agora imagina se abrimos as portas da nossa vida para qualquer um.

Em muitos momentos eu me identificava com o pai da série, que é uma pessoa calada e segue no automático durante quase toda a vida.

A forma como ele acaba se conectando aos amigos virtuais, mas sem perder o contato com amigos de longa data, me fez ver como nós não podemos escolher quem vamos conhecer. É impossível. Tem muita gente no mundo e vamos acabar esbarrando com pessoas não muito positivas ou simplesmente de pensamento diferente do nosso.

Sabe o que nós podemos fazer? Escolher quem fica. Decidir quem vale a pena procurar eventualmente. Quem você deve chamar para conversar, sair, tomar um café, um soco, um tiro, uma cerveja, tanto faz! Tente escolher pessoas que te façam bem. Pelo menos na maior parte do tempo.

Você ainda tem toda uma vida pela frente para realmente se prender a memórias ruins ou relacionamentos negativos. Assim como isso é muito tempo pra você ser alguém escroto com os outros.

E, por mais que bem e mal sejam aspectos subjetivos e relativos de uma narrativa, sejamos honestos, cê sabe quando não tá fazendo bem diretamente pra alguém. Em boa parte dos casos pelo menos.

Raimundos já dizia isso há quase duas décadas: “dessa vida, moleque, tu só leva a vida que tu leva”.

Autor: Elisnei

Servidor Público. Escritor amador. Curioso e fã de tecnologia.

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