Quadragésimo terceiro dia – Pequenos esquecimentos

Hoje comprei um pudim. Calma, acho que faltou contexto.

Bom, é bem comum em repartições públicas o comércio informal. Existem algumas proibições aqui ou ali, mas, em regra, circulam catálogos de cosméticos, pessoas andando com caixas ou bolsas recheadas com bolos, balas, doces em geral, refeições, gente vendendo roupa, perfume, enfim, quase tudo é possível ser encontrado.

Tem uma moça aqui no meu trabalho que costumava fornecer almoço, mas se mudou para um apartamento relativamente longe e não tem como trazer tudo pra cá todos os dias. Daí ela passou a vender bolos umas duas vezes por semana. Além de eventualmente aceitar encomendas de outros pratos. Só para não zerar a renda extra.

No meio da manhã de hoje, ela chegou sorrindo na minha sala e anunciou “trouxe o seu pudim”…

Admito que disfarcei bem (ou pelo menos acho que sim… mas posso ter feito cara de paisagem por alguns instantes) e sorri de volta, pedi pra ver, confirmei o preço, disse que pagaria depois (não gosto de andar com dinheiro) e vamos nos acertar na sexta. Outra característica bem comum do comércio informal.

Enfim, não me recordo de ter pedido o pudim, apesar de lembrar vagamente de uma conversa sobre o assunto. Ela estava trazendo pudins na semana passada e eu perguntei se não derramava e ela falou que embala com dois sacos. Lembro disso. Mas não lembro de pedir o pudim.

Mas pelo menos tava bem gostoso. Já até acabou.

E tô escrevendo só para falar que tenho medo desses pequenos esquecimentos que me ocorrem algumas vezes. Talvez também aconteça com vocês. Sabe, fazer coisas no automático, como conversar com pessoas e um certo assunto surgir. Daí, em outra roda de conversa, num outro dia, cê puxa o mesmo assunto de novo e alguém diz “vc já contou essa história” (eu faço isso direto).

Quem nunca esqueceu de dar um recado? Quem nunca esqueceu onde deixou a chave de casa porque não colocou no lugar de sempre?

A pior dessas situações é a triste cena de uma pessoa procurando pelos próprios óculos. É literalmente alguém que não enxerga sendo obrigado a tatear até encontrar algo.

Vou ficando por aqui, porque lembrei de outro assunto tenso sobre esquecimentos: senhas.

Autor: Elisnei

Servidor Público. Escritor amador. Curioso e fã de tecnologia.

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